Sobre o projeto

O Índice de Progresso Social (IPS) é uma metodologia que permite mensurar diretamente o nível de desenvolvimento social e ambiental de países, cidades e regiões, a partir de indicadores selecionados em três dimensões e doze componentes definidos globalmente. A seleção foi realizada pela organização norte-americana Social Progress Imperative com apoio de pesquisadores das universidades de Harvard e do Massachusetts Institute of Technology (MIT), com o objetivo de englobar uma variedade abrangente de temas, buscando evidenciar em que medida cada território é capaz de prover condições mínimas para seus habitantes.

 

O IPS Global foi criado com 52 indicadores levantados para 133 países. A estrutura básica do IPS tem sido utilizada em diversas aplicações, a partir da definição de indicadores realizada localmente por meio de processo participativo, envolvendo os atores locais, governo, universidades, institutos de pesquisa, empresas, fundações e outras organizações da sociedade civil.

 

Através da análise de indicadores comparativos e de novas medições, é possível conhecer em profundidade a situação atual de determinado local, comparando com outras regiões do mesmo território, de forma a acompanhar o desempenho do nível de desenvolvimento ao longo do tempo.

 

O Índice de Progresso Social é construído a partir de indicadores de resultados sociais e ambientais, que avaliam melhorias diretas para a qualidade de vida da população, como por exemplo uma melhor qualidade do atendimento nos postos de sáude e menor incidiência de doenças. , como por exemplo a melhoria na avaliação de serviços públicos.

 

A definição de “progresso social” é é a capacidade de uma sociedade de atender às Necessidades Humanas Básicas de seus cidadãos (primeira dimensão), estabelecer os serviços básicos que permitam aos cidadãos e às comunidades melhorar e manter a qualidade de vida (segunda dimensão) e criar as condições para que todos atinjam seu pleno potencial (terceira dimensão).

 

O diferencial do Índice de Progresso Social é o foco em indicadores de resultados com impacto direto na vida da população, através da combinação de variáveis sociais utilizadas em avaliações do desenvolvimento humano e bem-estar (indicadores de saúde, nível de acesso e qualidade dos serviços básicos e da educação básica e superior) com variáveis ambientais, de acesso à comunicação, direitos humanos, liberdade de escolha, tolerância e inclusão.

 

A estrutura do Índice de Progresso Social está focada em três questões diferentes, porém relacionadas:

 

 

POR QUE GOIANA?

Goiana é um município de médio porte localizado na região Metropolitana de Recife em Pernambuco. Com aproximadamente 79 mil habitantes, o município possui um IDH abaixo da média do estado, apesar de apresentar um enorme potencial turístico e cultural, por seu litoral, festividades tradicionais, e seu centro histórico, tombado como Patrimônio Nacional em 1938.

 

Entretanto, há desafios claros em relação aos níveis de desenvolvimento local e bem-estar da população. Para melhor compreensão da condição social do município, o IPS foi realizado em cinco diferentes regiões do município, sendo elas Goiana sede, a comunidade quilombola de São Lourenço, Carne de Vaca, Tejucupapo e Ponta de Pedras. Com o objetivo de produzir um diagnóstico local aprofundado que pudesse apoiar à gestão pública, o IPS foi realizado em parceria com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Para implementação, foi construído um questionário personalizado, aplicado em mais de 800 domicílios da cidade, permitindo um nível de confiança de 95% e uma margem de erro de até 5 pontos percentuais.

 

A razão principal do Índice de Progresso Social (IPS) para a cidade de Goiana é possibilitar um mecanismo de geração de dados independente, de alta confiabilidade, trazendo à mostra as diferentes realidades e desafios das distintas áreas da cidade. Nesse sentido, a metodologia de aplicação pode ser replicada a cada 2 anos (idealmente), de forma a avaliar o desempenho dos indicadores, componentes e dimensões nas cinco áreas em que a pesquisa foi realizada - Sede, São Lorenço, Carne de Vaca, Tejucopapo e Ponta de Pedras. Estas áreas foram escolhidas buscando representar a realidade média da população de Goiana, mas atentando as diferenças sociais entre cada região da cidade.

 

COMO INTERPRETAR OS RESULTADOS?

Os valores máximos (nota 100) do IPS GOIANA foram construídos com base em metas de longo prazo, inspiradas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, ou seja, considera essa a situação ideal ou muito próxima do ideal, que pode ser alcançada até o ano de 2030. Assim, é necessário levar isso em conta quando comparamos os valores de cada região com a situação ideal, pois é possível entendê-los como muito baixos por estarem distantes dessas metas. O IPS Goiana apresenta uma pontuação de 0 a 100 para as cinco regiões da cidade e uma média geral, ponderada pela população de cada região, de forma a medir o nível de progresso social a partir da proximidade com a nota.

 

Atingir a nota 100 em um determinado componente implica em atingir as metas para 2030 em todos os indicadores daquele componente. O mesmo vale para as pontuações das três dimensões: ter uma pontuação máxima em Necessidades Humanas Básicas, por exemplo, implica em ter pontuação máxima em cada um de seus quatro componentes – Nutrição e Cuidados Médicos Básicos, Água e Saneamento, Moradia e Segurança Pessoal.

 

Desse modo, chegar a nota máxima no IPS é um compromisso ambicioso, que requer responsabilidade e articulação entre empresas privadas, governo e sociedade civil, com amplos investimentos em áreas prioritárias.

 

Por essa razão, o melhor uso do IPS GOIANA pode ser feito para acompanhar metas intermediárias, com medições a cada 2 anos, entre as quais as áreas prioritárias podem ser ajustadas dependendo da evolução dos indicadores. Assim, como a nota máxima (100) só deve ser atingida em 2030, parece razoável supor que avanços possam ocorrer gradualmente, de modo a estimular metas parciais para 2020, 2022, 2024 e, assim por diante.

 

Vejamos um exemplo completo: como GOIANA pode usar os cinco indicadores escolhidos no componente de Nutrição e Cuidados Médicos Básicos (NCMB) para planejar suas ações em saúde e nutrição de modo consistente com os ODS:

 

Na tabela acima, temos o indicador e, ao seu lado, a situação de partida (2017) para os cinco indicadores do primeiro componente do IPS (NCMB) e a proposta de metas para a visão 2030, respectivamente. No primeiro caso, a meta proposta é que, até 2030, 90% da população esteja ao menos satisfeita com o atendimento dos postos de saúde comunitários. No segundo indicador, a meta é que todos os habitantes da cidade possam chegar às Unidades Básicas de Saúde em até 30 minutos de caminhada. Os demais indicadores vão nesse sentido: aumentar a satisfação com atendimento médio em geral (não apenas emergências) para 90%, reduzir a taxa de óbitos de recém-nascidos conforme acima e zerar a fome na cidade até 2030.

 

A somatória dos indicadores em 2017 produz uma pontuação média para a cidade de 64.4 pontos, mais alta na Sede (68.9) e mais baixa nas demais regiões, como Carne de Vaca (33.9) e Tejucopapo (41.5). Nesse caso, avançar rumo aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável tem um componente muito prático: aumentar a cobertura e qualidade de atendimento da saúde na região. O município pode então estabelecer metas prioritárias para as regiões colocadas, gerando uma meta unificada com base no IPS, como por exemplo, aumentar a pontuação média para 70 pontos em 2020, 75 em 2022, 80 pontos em 2024, e assim por diante.

 

Essa pontuação pode ser vinculada com a decisão de onde, quando e porque investir em novos postos de saúde, ou mesmo aumentar a quantidade de plantões médicos. Em tempos de restrição orçamentária, se torna cada vez mais importante priorizar investimentos, buscando sempre oportunidades inteligentes de melhorar o progresso social.